PLANETÁRIO NO PARQUE DA CIÊNCIA NEWTON FREIRE MAIA
CONCURSO NACIONAL – PRÊMIO DE 2º LUGAR
DATA: 2024
LOCAL/CIDADE: Pinhais | PR
ÁREA DE INTERVENÇÃO DE PROJETO: 23.810m²
ÁREA CONSTRUÍDA: 4.268m²
EQUIPE: ARQ. JANAINA NICHELE | ARQ. MÁBILI E. RONQUI | ARQ. CAMILA TKATCH
DESCRIÇÃO:
Embora a astronomia seja uma ciência que conta com muita tecnologia atualmente, sua base é primitiva. A observação do céu sempre aguçou a imaginação humana, e o céu se tornou um guia para tudo que acontecia na terra.
Assim como as constelações ocidentais surgiram por meio da mitologia grega, com a junção de estrelas que são usadas na astronomia, os povos indígenas também utilizaram as estrelas como uma espécie de agenda do clima e orientação. Embora diferentes entre si, os grupos indígenas tinham em comum a necessidade de entender o ecossistema em que faziam parte e, para isso, usavam a observação do céu. Essa observação foi ensinada por gerações, fazendo o uso de mitos tanto para orientar a posição das constelações, quanto para promover e ensinar condutas e organização social da tribo. As constelações indígenas foram fundamentais para entender momentos importantes e garantir a sobrevivência desses povos, como por exemplo a melhor época para plantio, para pesca, para ter filhos etc.
Em diversas culturas humanas, o céu representa a morada dos ancestrais e das divindades. O conceito principal do projeto surge então do desejo de trazer essa sabedoria e cultura dos povos indígenas para as novas gerações, eternizando e contando a história que está se perdendo a cada dia.
As boas-vindas do projeto se iniciam na praça, com a preservação do antigo relógio solar de troncos do parque e com o novo observatório indígena, mostrando o método mais rudimentar de análise do céu, que evolui nos caminhos e no tempo até se deparar com a sala de projeções do planetário – a forma mais tecnológica de analisar o céu.
Na praça nomeada como Jakaira, deus do norte em Guarani, estão representadas as principais constelações indígenas iluminadas com spots de piso. Toda a praça também foi iluminada com fibra óptica, trazendo a representação do próprio céu estrelado para o piso. No entorno do círculo, foi usada a representação de grafismos indígenas que significam “lugar onde todos dançam” e “Borboletas”, que formam desenhos de piso e canteiros de flores que representam as estações do ano.
Considerando as condicionantes do terreno e entorno, como acessos, vegetação, topografia, construções vizinhas e a astronomia indígena, foi possível determinar uma implantação que unisse a funcionalidade do parque ao destaque do edifício principal e as conexões entre o existente e o novo.
Os edifícios existentes do parque, que são os pavilhões e a esfera imponente da entrada, são criações do arquiteto Jaime Lerner, e também serviram como inspiração e partido para as escolhas de materiais, eixos visuais e implantação do projeto. O complexo novo, ao mesmo tempo que traz a tecnologia, também respeita os primeiros passos dados por Jaime Lerner na criação do Parque da Ciência, emoldurando e destacando visuais da parte existente a partir dos eixos e caminhos criados, e usando materiais como madeira e aço.
Como um arquiteto importante para o Brasil, especialmente para o Paraná, sua arquitetura pedia uma conexão de forma harmoniosa com o novo complexo, e isso foi possível usando o eixo principal e mais importante desta implantação – a Trilha do Canguiri – que ganhou revitalização e destaque no projeto.
O projeto de revitalização da Trilha do Canguiri traz a referência da calçada iluminada da Orla do Guaíba de Lerner, em Porto Alegre, e apresenta aos visitantes, durante a caminhada, a representação do eixo leste-oeste do céu, chamado pelos povos indígenas de Caminho da Anta, local de morada de todas as divindades, mitos e constelações. Com isso, o “Caminho da Anta” do parque é representado por iluminação com fibra óptica, criando uma calçada estrelada e destacando esse eixo importante.
O partido também propõe que os espaços e equipamentos possam ser utilizados de forma independente por diferentes visitantes, ora de forma integrativa e pública, ora de forma restrita e controlada.
As áreas públicas podem ser acessadas como uma forma de lazer, com parquinho, café e um bosque para piqueniques. Elas se tornam um atrativo para o público, e o parque pode ser explorado mesmo nos momentos em que não tenham eventos ou apresentações acontecendo nas áreas internas.